Autoridades assinaram MANIFESTO,
tendendo clamor da comunidade joaçabanese
que, em boa parte, considerou imprópia a forma
que a Revista VEJA se referiu a Frei Bruno, quando
fez ampla reportagem sobre o prêmio da Mega Sena
cujo ganhador é de Joaçaba:
Ao Jornalista Fábio Portela
REVISTA VEJA/ Redação
São Paulo -SP
Prezado Senhor:
Ao saudá-lo cordialmente, nos valemos deste para manifestar o sentimento que paira por Joaçaba a cerca da matéria Vida Brasileira, A MEGA CONFUSÃO DE JOAÇABA, edição do 19 de setembro de 2007,cuja polêmica envolveu pessoas de nossa cidade.
Por questão de prudência, evitamos nos manifestar ao calor das primeiras impressões, preferindo fazê-lo somente agora, após ouvir mais pessoas e amainar nossos próprios ânimos, buscando a serenidade que assunto requer.
Nos referimos à parte inicial de vosso texto, quando faz referências ao Monumento Frei Bruno, cuja construção encontra-se na fase conclusiva. Não podemos e nem pretendemos negar o mérito da divulgação em si, afinal, até então, era um assunto meramente regional e, num repente, viu-se lançado em nível nacional na Revista Veja, cujo alcance e credibilidade não se questiona.
Pois bem: embora considerando a importância da divulgação, permita-nos manifestar nossa modesta opinião discordante sobre a forma que a mesma se deu. Imaginamos que, em que pese o profissionalismo e a experiência do nobre jornalista, o perfil cômico da polêmica o tenha induzido a tratar todo assunto na mesma tônica. Embora sem cogitar tal possibilidade, ao expor o nome de Frei Bruno, da forma que o fez, causou constrangimento a pessoas que nutrem devotamento e respeito àquele religioso de saudosa memória, não pelas dimensões da estátua que foi levantada em sua homenagem, mas por seu passado exemplarmente humanitário, sem adentrarmos no campo dos fenômenos a ele atribuídos, cuja complexidade sugere uma sondagem mais profunda.
Compreenda, prezado amigo que, não apenas sobre Frei Bruno, que para o povo de nossa região é figura caríssima, mas todo e qualquer assunto envolvendo questões religiosas carecem de um crivo especial. Longe de qualquer pretensão ou presunção, apenas desejamos que o respeitável repórter entenda a outra face da questão e das razões que motivaram esta manifestação, pois, para muitos, a crença é o que há de mais sagrado e por isso intocável, inquestionável.
Queremos crer que o notável profissional jamais imaginou que apenas mais uma matéria semanal pudesse rumar para esta direção, causando mal estar justamente em leitores contumazes e admiradores de seu trabalho. É, porém, a delicadeza do tema que mudou todo o quadro, sem culpas nem culpados.
Finalizando esta humilde manifestação, acrescentamos que, seja bem provável, que do alto de sua grandeza, o próprio Frei Bruno esteja lançando sobre nós um olhar de compaixão, por nos observar às voltas com questões que as esferas superiores já aprenderam a superar, e que, diante de nossa própria pequenez ainda agigantam-se, escapando ao nosso precário controle. Que o amável repórter seja também compreensivo para conosco, que, instintivamente reagimos em defesa de algo que julgamos tão nosso, não sem antes ponderar racionalmente, justamente por considerar que toda questão tem mesmo duas faces.
Desta forma, gostaríamos de reiterar nosso respeito ao esmerado jornalista, enfatizando que o ocorrido não diminui nossa admiração e nosso apreço pela Revista VEJA, que no cumprimento de sua função, não está livre de situações adversas, afinal é feita por seres humanos, dignos e meritosos por fazerem parte desta seleta equipe.
Assim esclarecendo, tomamos a liberdade de convidá-los para conhecer Joaçaba e seus encantos. Teremos imenso prazer em recebê-los, não apenas por conta do acontecido, mas, especialmente, para que conheçam o povo deste lugar, os sonhos e as realizações destes devotos e não devotos de Frei Bruno, que ajudam a construir uma das cidades mais lindas do nosso Brasil.
Sendo este um sentimento coletivo, subscrevos o presento manifesto.
Respeitosamente,
Armindo Haro Netto – Prefeito Municipal
Padre Luiz Carlos Bortolozzo – Pároco de Joaçaba
Miguel Libanir Giusti – Presidente da CDL
Manoel Donato Mello de Liz – Rep. Distrital FCDL
Johnny Dário Bortoluzzi – Coord. Monumento Frei Bruno
Adilson Guanabara – Diretor de Cultura
Jaime Telles – Diretor de Turismo
Jorge Luiz Dresch – Secretário de Desenvolvimento regional
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sexta-feira, 5 de outubro de 2007
sábado, 15 de setembro de 2007
CENAS JOAÇABENSES - REVISTA VEJA

A megaconfusão de Joaçaba
A sorte foi lançada no interior de Santa Catarina.
Mas resta uma questão. Quem é o sortudo de verdade:
Maninho ou Chico Louco? Façam suas apostas
Joaçaba, cidade de 25.000 habitantes no interior de Santa Catarina, pretendia alcançar alguma fama no fim deste ano com a inauguração de uma gigantesca estátua de um certo frei Bruno. Trata-se de um frade franciscano que viveu na cidade nos anos 50 e ganhou fama de milagreiro. Com 37 metros de altura, o monumento foi projetado para ser o terceiro maior das Américas. Os joaçabenses dizem que ele só perderá em tamanho para a Estátua da Liberdade e para o Cristo Redentor. Joaçaba não precisou esperar pela inauguração – nem por um milagre de frei Bruno – para ganhar notoriedade. A cidade ficou famosa graças a um golpe de sorte, literalmente. Há duas semanas, foi feita lá uma das duas apostas ganhadoras do concurso 898 da Mega-Sena, que pagou um prêmio de 55 milhões de reais. O bilhete com os números 03, 04, 08, 30, 45 e 54 deu ao seu detentor direito à metade da fortuna. A outra parte ficou com um felizardo de Rondônia que jogou nas mesmas dezenas. A notícia se espalhou pelos 240 quilômetros quadrados de Joaçaba como fogo no mato. Todo mundo queria saber quem era o novo milionário da cidade. E aí teve início uma megaconfusão.
No dia seguinte ao do sorteio, um domingo, começou a correr o boato, logo confirmado, de que o vencedor era Chico Louco, dono de uma serraria. Chico é conhecido por adorar todo tipo de jogo – carteado, rifa, loteria – e por ter o hábito de nunca pagar suas contas em dia. Segundo sua família, ele deve "uns 300.000 reais" em pensão para a ex-mulher, impostos, empréstimos e financiamentos bancários atrasados. "Ele é meio desorganizado financeiramente", resume seu irmão mais velho, Hélio da Igreja. De fato, Chico costuma se atrasar para pagar o que deve, mas, é claro, correu loucamente para receber o prêmio logo na segunda-feira de manhã. Sua primeira providência foi dividir os 27,5 milhões em cinco contas, tendo como titulares ele próprio, a mãe, o irmão, a irmã e um cunhado. "Não deixei tudo junto porque tenho uns problemas fiscais em meu nome", explica. Depois, sacou 280.000 reais e foi para a rua comemorar. Saldou contas antigas e, como todo ganhador da Mega-Sena que se preza, comprou um carro zerinho e pagou em dinheiro vivo.
Enquanto Chico festejava o novo vidão de milionário, um de seus funcionários, Maninho, bradava aos quatro ventos que, na verdade, era ele o dono do bilhete vencedor, e não o seu patrão. Maninho conta que, no sábado do sorteio, pegou uma carona com Chico para voltar para casa. Lá pelo meio-dia, eles passaram em uma lotérica para jogar na Mega-Sena. "Não tinha lugar para estacionar, e o Chico ficou de fazer as apostas mais tarde, no centro. Ele disse para eu marcar os meus números num papel e dar 1,50 real para ele fazer o jogo. Combinamos que, se a gente ganhasse, ia repartir o prêmio", diz. Maninho explica que escolheu as dezenas com base no número de um telefone celular que sua mãe, que vive em outra cidade, esquecera com ele na semana anterior. "São os números do celular da mãe. É só olhar. Agora, quero a minha metade do dinheiro. O que é certo, é certo", reclama.
A coincidência entre os números do celular e os do bilhete, de fato, impressiona. Um juiz da cidade acreditou no rapaz e mandou bloquear as contas em que o prêmio havia sido depositado até o caso ser esclarecido. "É um absurdo. O jogo era meu, só meu. Quando falei que ia apostar na loteria, o piá respondeu que isso era jogar dinheiro fora. Disse que preferia gastar o 1,50 real em cerveja", esbraveja Chico, louco de raiva. Ele juntou documentos para provar que escolheu as dezenas com base em datas comemorativas de sua família. "Meu filho nasceu no dia 3 do mês 4. Meus pais se casaram num dia 30. Eu nasci em 54. E o 45 é o 54 de trás para a frente. É isso. Só não vê quem não quer." Mas, Chico, de onde saiu o número 8? "Ah, o 8 é meu número de sorte." Ele diz que não dará um tostão a Maninho, a quem chama de desonesto e mal-agradecido. Enquanto o imbróglio não se resolve, Chico passa os dias na casa do irmão, na cidade de Toledo, no Paraná. Ele conseguiu salvar 2 milhões de reais do bloqueio judicial, transferindo essa quantia para uma sexta conta bancária. Para aliviar a tensão, joga na loteria: "Não consigo ficar sem jogar. Desde que ganhei, aposto todos os dias. Se acertei uma vez, por que não posso conseguir de novo?". Chico anda, como sempre, à procura de números vencedores. Se alguém tiver um, ele aceita a sugestão de bom grado. Mas sem essa de dividir prêmio.
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